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Educação digital: a importância da formação de cidadãos digitais conscientes

abril 28, 2017

Muito comum relacionarmos o termo ”Educação Digital” com aprender a bem manusear computadores, tablets e smartphones. Comum pensar que bem educado digitalmente, é aquele que sabe tirar proveito de todas as funcionalidades oferecidas por estes dispositivos. Aquele que sabe programar então, uau, esse é educado meeesmo. O cara, literalmente, pode dar aula de educação digital!!

Mas como dizem #sqn  (só que não). Educação Digital envolve uma série de outras habilidades e conhecimentos que independem do quão boa a pessoa é com a tecnologia em si. Uma pessoa pode saber apenas ligar o smartphone, mandar e receber mensagens e ser muito bem educada digitalmente, basta ela utilizar este recurso de comunicação para, por exemplo, aprender coisas úteis, compartilhar notícias relevantes e de fonte confiável, entre outras coisas boas que hoje as novas tecnologias da informação e comunicação nos permitem fazer.

Por outro lado, pode aquele “carinha” que citamos acima, dominar muito bem os recursos tecnológicos e usar as redes sociais, por exemplo, para espalhar mentiras, proferir ofensas, entre outras coisas ruins que as novas tecnologias da informação e comunicação nos permitem fazer.

Mas curioso mesmo é como algumas pessoas tendem a separar a vida online da off-line, como se mundos diferentes fossem. Simplesmente se esquecem do fato de que por detrás das telas, há pessoas, assim como valores a serem observados e respeitados. Mas como falar e (sentir) sobre valores neste vasto e tão dinâmico universo digital, onde a pessoa só lembra das palavrinhas ética e bom-senso depois que clicou em POSTAR?

Para o psicoterapeuta e educador Leo Fraiman, “valores são um espécie de bússola interior que nos aproxima ou afasta das pessoas, experiências e atitudes, percebidas como positivas ou negativas, de acordo com o que é avaliado como importante para nós. É o valor do respeito que nos impede de xingar o outro, é o valor da educação que nos inspira a ser gratos por um favor ou atitude positiva. Quando valores são ignorados, sofremos com as consequências[1]”.

Pois é, justamente, neste ponto sobre as consequências que precisamos conversar. A internet, assim como todos os avanços oferecidos pelas novas tecnologias nos abrem infinitas portas, mas com a mesma magnitude e poder que foram abertas, podem ser fechadas, pela “mesma internet” e pior, às vezes pra sempre.

Muitas das pessoas que sofreram as consequências de uma atitude impensada na internet não tiveram, sequer, a oportunidade de se defender ou até mesmo de usufruir do bônus do arrependimento. Isto por que, enquanto que para o direito, o “eu não que sabia que era crime[2]”, “fui influenciado” podem ser, a depender de cada situação, atenuantes de pena,  para a internet, não. Perpetuidade e poder de rápida disseminação são algumas das características desta fantástica e por vezes “cruel” evolução.

Não por acaso o artigo 26 do Marco Civil da Internet[3] estabelece como um dos princípios básicos da educação, o incentivo ao uso seguro, consciente e responsável da internet em todos os níveis de ensino, como ferramenta para o exercício da cidadania, promoção da cultura e desenvolvimento tecnológico.

Assim, quando falamos em “Educação Digital”, estamos nos referindo ao bom direcionamento do uso das novas tecnologias, recursos e ferramentas tecnológicas. A vida na sociedade da informação requer preparo se o que se busca é o melhor aproveitamento de tudo que é oferecido, livre dos riscos e prejuízos, que o seu mau uso pode acarretar.

E então, pra finalizar, diga lá: na sua opinião, usa a internet consciente aquele que:

Diz (posta) tudo que pensa, doa a quem doer?

Expõe toda a sua vida pessoal e profissional?

Faz check-in a todos os lugares que frequenta?

Curte e compartilha posts polêmicos e mais, sem conhecer sua procedência e veracidade dos fatos relatados?

Afinal, aprender a manusear os aparatos tecnológicos é fácil, o desafio é saber o que fazer com suas funcionalidades e melhor, dar a elas o significativo sentido.

 

[1] Abrusio, J; Vainzof, R. Educação Digital. São Paulo. Revista dos Tribunais. 2015

[2] Delegado pede prisão preventiva de blogueira por ofensas a bebê com Síndrome de Down
Disponível em: http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/delegado-indicia-blogueira-por-ofensas-a-bebe-com-sindrome-de-down.ghtml

[3] LEI Nº 12.965, DE 23 DE ABRIL DE 2014.

 

Por Alessandra Borelli

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